É muito difícil para o espírita
explicar a quem não conhece a doutrina o porquê de tamanha disparidade de
condições dos espíritos encarnados aqui na terra. Uns vivendo no gozo de quase
tudo e outros em condições de existência terríveis. Assim sendo, segue-se uma explicaçãozinha simples baseada em “O
livro dos Espíritos”...
1) Antes de nova existência
corpórea (encarnação), o Espírito escolhe o
gênero de provas a que deseja se submeter; nisto consiste o livre-arbítrio na escolha
das provas. Entretanto, Deus, ao conceder ao Espírito (ainda desencarnado) a
liberdade de escolha, deixa-lhe a responsabilidade dos seus atos e das suas
conseqüências.
2) Na escolha das provas, o Espírito
desencarnado, via de regra, segue uma orientação: o desejo de sua própria evolução. Por isso, o Espírito não escolhe
as provas menos penosas como pode parecer a alguns mais fácil. Liberto da
matéria (quando desencarnado ou no plano espiritual), o Espírito não vê nas
provas somente seu lado penoso ou mais agradável, mas sim um atalho que o faça
alcançar mais rapidamente um estado melhor; como um doente que escolhe um
remédio ou tratamento mais desagradável ou penoso para se curar mais
rapidamente.
3) A despeito do livre-arbítrio, Deus pode
impor certa existência a um Espírito, quando este não estiver apto a
compreender o que lhe seria mais proveitoso ou quando teimar sistematicamente
na inércia. Daí então isso tornar-se expiação
e não mais prova.
4) O Espírito desencarnado escolhe o gênero
das provas: os detalhes são conseqüências da posição escolhida e,
freqüentemente, de suas próprias ações como encarnado. O Espírito, escolhendo
um caminho, sabe de que natureza são as vicissitudes que irá encontrar; mas não
sabe que acontecimentos o aguardam. Os detalhes nascem das circunstâncias.
5) Por fim, o Espírito pode escolher provas
que estejam acima das suas forças e então sucumbir. Por outro lado, pode
escolher outras que não lhe dê proveito algum, como um gênero de vida ociosa,
fácil e inútil (a fortuna, por exemplo). Nesses casos, voltando ao mundo
espiritual (desencarnando), percebe que nada ganhou e pede para recuperar o
tempo perdido.
6) O Espírito desencarnando e voltando ao plano espiritual
– nosso plano verdadeiro – no
momento adequado toma ciência dos erros e acertos de sua última encarnação aqui
na terra. Percebendo todos os erros, desvios e males que cometeu logo vêm o
arrependimento e a suplica a Deus por uma nova oportunidade para reparar os
erros cometidos. A vontade de reparar os erros é tão grande, que muitos aceitam
e até pedem condições e provas terríveis de existência aqui na terra.
Resumindo podemos afirmar que:
- Deus, em sua infinita bondade,
justiça e sabedoria raramente nos impõe nada. Espera paciente e bondosamente
que tomemos consciência dos nossos erros; só daí então nos permite escolher
nossas provas. Prepara (junto conosco) carinhosamente nossa próxima encarnação
e nos equipa com tudo aquilo que precisamos para superar as provas escolhidas. Assim
se tornamos a falhar a nada nem ninguém podemos impor a culpa, a não ser a nós
mesmos.
- Na terra, que presentemente é um orbe de provas e expiações, podemos
afirmar, grosso modo, que: 95% dos espíritos encarnados estão em provas,
uns 4% em expiações e talvez apenas 1% em missão.